João Batista e o Deserto

Por Eguinaldo Hélio de Souza

E o menino crescia, e se fortalecia em espírito, e esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel. (Lucas 1.80).

 

A biografia de João Batista é relativamente curta, mas sua vida foi repleta de significado. Por esse motivo, podemos aprender com ela coisas essenciais para nossa caminhada com Deus.

Nosso espírito também cresce e se fortalece. Não podemos esperar grande força da criança da mesma forma como não podemos aceitar fraqueza no adulto. Humanamente falando, vamos da debilidade para o vigor, da fraqueza para a força, da frouxidão para a firmeza. Espiritualmente isso também é necessário. Um novo convertido ainda não está pronto, não é firme, experimenta muitos fracassos. Todavia, no decorrer da caminhada com Cristo, deve tornar-se forte. Forte para vencer a carne, o mundo e o diabo; forte na oração, no testemunho, em fazer a vontade de Deus, em confiar Nele. A fraqueza tem que ir embora e dar lugar ao vigor espiritual.

O deserto é necessário. Não gostamos do que o deserto significa espiritualmente. Significa que não teremos onde nos agarrar, exceto Deus. Pessoas e coisas estarão ausentes e teremos de aprender a depender exclusivamente Dele para sobreviver na solidão e na carência. Entretanto, será assim que cresceremos. No deserto são forjadas as grandes almas. Todas as grandes obras foram forjadas no deserto, inclusive a redenção do mundo. (A. –D. Sertillanges, A vida intelectual)

O tempo de preparação chega ao fim. Começa o tempo de realização. A vida não é só preparação. É concretização também. O deserto acaba e então começa a ação. Que só se tornará possível graças ao tempo no deserto, no qual, sem percebermos, Ele nos forja, nos capacita, nos prepara para aquilo que só existe no coração Dele, mas que através nós se tornará  real, pois para isso nos  talhou.

Assim foi com João Batista. Assim tem sido com os servos e servas de Deus na história. Fortalecidos e moldados no deserto, somos lançados ao mundo como flechas para cumprirmos os propósitos Daquele que tudo pode e cujos planos não podem ser  impedidos. (Jó 42.3)

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