Maledicência

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Mas agora, abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar. (Colossenses 3.8)

Se há um pecado bem presente em nossas vidas que precisa ser abandonado é a maledicência. Há um vício de falar mal dos outros, bem enraizado em nosso dia-a-dia. Boa parte de nosso tempo e de nossas conversas são utilizados para condenar as pessoas. Quando estamos juntos gastamos muitas palavras maldizendo os ausentes. Com uma facilidade impressionante condenamos parentes, amigos, irmãos, líderes. Ninguém escapa.

Falamos tanto da vida dos outros que se parássemos de repente de fazê-lo, talvez não tivéssemos mais assuntos. Os outros são nosso assunto. Julgamos, criticamos, condenamos. Sentimos um prazer oculto em apontar as falhas de todos. Parece que isso nos faz sentir melhores como se expor os defeitos e pecados dos outros tornasse bem menor nossas falhas e defeitos.

Só não percebemos o quanto isso envenena nossa alma. Quanto tempo perdido, quanta palavra infrutífera, quanta semente ruim! E muitas vezes fazemos isso sob uma capa de piedade, justificando que estamos falando para o bem da pessoa, que devemos orar por ela, que a amamos e etc. Puro engano. Na maioria das vezes não passa de maledicência pura. Se pudéssemos ouvir todas as nossas maledicências ficaríamos envergonhados!

Precisamos ser libertos desse poder terrível, desse veneno de serpente em nossas línguas, desse hábito destrutivo que se arraigou em nossa cultura, em nosso pensamento. Não significa perder o senso crítico ou achar ingenuamente que todos são perfeitos. Trata-se apenas de não fazer da vida dos outros o centro da nossa e abrir espaço para palavras de graça, palavras que edifiquem aqueles que nos ouvem (Ef 4.29). Com certeza, quando maldizemos, a ninguém edificamos, a ninguém ajudamos. Apenas contaminamos os que estão ao nosso redor e a nós mesmos. Que nenhuma raiz de amargura brotando, vos perturbe e por ela muitos se contaminem. (Hebreus 12.15).

Se metade de nossas palavras de maledicência tivesse sido usada para oração ou para leitura das Escrituras, nossa vida certamente seria muito mais abençoada e frutífera. Na maioria das vezes, perdemos a chance de ficar calados. Até o tolo quando se cala, é considerado um sábio, diz Provérbios (Provérbios 17.28). Nossa maledicência já destruiu ou contaminou mais vidas do que imaginamos, inclusive a nossa.

Precisamos ser fortes em Deus para interromper o fluxo da maledicência entre os nossos irmãos mais próximos. Quando alguém começa a falar mal de outros, nossa tendência é dar vazão, emendar com nossas observações e alimentar ainda mais rancores e mágoas. Quem começou a crítica à mulher do vaso de alabastro foi Judas Iscariotes (João 12.4-6). Depois os outros continuaram (Mateus 26.8, 9) pelo que foram repreendidos por Jesus.

Temos usado muito mal nossos lábios. Temos produzido frutos amargos e corruptos. Somos dignos da mais severa repreensão de Jesus. Precisamos nos arrepender dessa maledicência e pedir misericórdia e graça para vencer esse tão terrível pecado de nossas vidas.

Coloca, SENHOR, uma guarda à minha boca; vigia a porta de meus lábios. Não permitas que o meu coração nem que eu me envolva em práticas perversas com os malfeitores. Que eu nunca participe dos seus banquetes! (Salmo 141.3,4)

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