É Melhor Manter o Fogo Aceso

Por Eguinaldo Hélio de Souza

O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará. (Levítico 6.13)

Leva muito mais tempo e exige muito mais esforço reacender um fogo que apagou do que mantê-lo aceso. É melhor vigiar para não cair do que tentar se levantar após a queda. A manutenção de nossa vida espiritual, o cuidado constante do nosso relacionamento com Deus, precisa ser prioridade. Porque depois que nossa comunhão se quebra é muito mais difícil e muitas vezes doloroso restaurá-la. Como em um casamento é melhor trabalhar pela paz, pelo bom entendimento e a felicidade do que permitir que ele se estrague e depois tentar consertar.

… antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao poço (Eclesiastes 12.6).

Sim, antes que a nossa vida espiritual se esfrie e só reste cinzas onde havia chamejantes labaredas, temos que nos arrepender e nos voltar para Deus de todo o nosso coração. Antes que o pecado crie raízes profundas e faça morada permanente, precisamos nos arrepender e nos humilhar e clamar por misericórdia. Todo aquele que é santo orará a Ti, a tempo de poder te achar (Salmo 32.6)

Não fique olhando passivamente, a luz de Deus extinguir-se em seu coração. Não se distraia com as coisas passageiras desta vida de modo que as coisas eternas derramadas por Deus em você fiquem esquecidas. Se você alega não ter tempo para o altar então a catástrofe está perto, pois perder o relacionamento com Deus é perder a própria vida. Não ter tempo para Deus é viver perdendo tempo.

Um fogo não se apaga por causa da chuva ou do vento. Ele se apaga porque ninguém o alimentou, porque ninguém cuidou dele, porque foi negligenciado. A Vida de Deus não se apaga em uma vida por causa do mundo, da carne ou do diabo. Ela se apaga porque aqueles que deveriam mantê-la acesa foram negligentes.

Você é o sacerdote. E a chama de Deus que Ele mesmo acendeu no altar do seu coração é responsabilidade sua. Mantenha-a acesa. De Deus vem o óleo da graça que o capacitará e o fará apto para essa tarefa.


 Maior Benção, Maior Temor

Por Eguinaldo Hélio de Souza

O temor do SENHOR ensina a sabedoria, a e a humildade antecede a honra (Provérbios 15.33)

O orgulho é uma armadilha sutil que gradativamente nos leva para longe dos trilhos divinos e nos faz confiar em nós mesmo ao invés de confiar no Senhor. O limite entre sentir-se realizado e sentir-se auto suficiente é muito tênue. Facilmente largamos a mão do Pai e arriscamos andar sozinhos. E isso acontece mais frequentemente na medida em que somos abençoados.

Dentro do nosso coração deve haver uma disposição constante para dizer como o apóstolo Paulo: “Não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Coríntios 15.10). Do contrário, corremos o sério risco das bênçãos se tornarem maldições, quando o fato de experimentarmos o favor de Deus nos levar à crença no nosso próprio mérito. Então, a vitória que veio do alto parece ser fruto de nosso esforço apenas. Os êxitos na pregação, no ensino, na liderança, no louvor, no nosso ministério enfim, são vistas como justos frutos de nosso empenho e da nossa capacidade.

E esquecemos que sem Ele nada podemos fazer (João 15.5). Esquecemos que somente Nele podemos todas as coisas (Filipenses 4.13). E começamos a caminhar descuidadamente como se nós servíssemos à nossa agenda e aos nossos compromissos e não ao Senhor. Nosso coração não se volta mais para o alto, não busca pelo fio que nos conecta a Ele. Passamos a acreditar que temos uma bateria eterna que funciona por si mesma. E isso nos desliga da dependência Dele. Aí vem a tragédia que Davi e Salomão bem conheceram.

As bênçãos de Deus em nossa vida devem produzir maior temor. Cada elogio, cada reconhecimento, cada honra recebida deve produzir em nossa alma uma gratidão sincera Àquele que nos dá todas as coisas. Sua graça é um fato, não uma mera impressão. Sua capacitação é o verdadeiro motivo de nossas vitórias, não importa o quanto os homens nos elogiem.

Diante da honra deve estar a nossa humildade. Diante de cada êxito deve estar o temor do Senhor e o reconhecimento de sua mão ajudadora e eficaz. É Ele quem humilha a quem se exalta e exalta a quem se humilha.


 Agarre-se!

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

“Conservando a fé e a boa consciência, rejeitando a qual alguns fizeram naufrágio na fé”. (1 Timóteo 1.19)

Gostaria de dizer que naufrágios na fé são raros e que só ocorrem com pessoas descompromissadas. Todavia, isto não é verdade. Com lágrimas nos olhos vemos pessoas de todas as estaturas espirituais caindo em algum tipo de situação que trás morte para si e para aqueles ao seu redor. Casamentos desfeitos, escândalos financeiros, deslizes de imoralidade, depressão, esfriamento na fé, suicídios. Não há como não olhar para esses tristes quadros e não temer pela nossa jornada cristã.

Não faltam advertências nas Escrituras: vigiai e orai; aquele que está de pé olhe para não cair; cuidai de vós mesmos; olhai por vós mesmos se estais na fé; não extingais o Espírito e daí por diante. Então olhamos para nossa alma e procuramos a que nos agarrar, para estar firmes durante os vendavais.

Por isso, agarre-se firme àquilo que vem de Deus!

Agarre-se primeiramente à Sua graça. Não é em nós que está a força, por mais que oremos, jejuemos ou leiamos a Bíblia. Nem existe em nossa natureza nenhuma garantia de vitória. Homens muito mais sábios que nós, como Salomão, por exemplo, caíram em apostasia. Homens mais espirituais que nós, como Davi, sucumbiram ante o pecado.

Agarrar-se a graça significa depender inteiramente Daquele que é poderoso para nos guardar de tropeçar (Judas 24). É deixar de confiar em si mesmo e abrir-se ao Único que pode de fato nos sustentar.

Agarre-se ao temor do Senhor, porque este é o princípio da sabedoria (Provérbios 1.7). Quem teme ao Senhor não entra por qualquer caminho, não decide qualquer coisa, não age por conta própria. Sempre se pergunta como o Senhor está vendo suas ações. Isso o livra de muitas portas erradas e caminhos tortuosos. Pode parecer um caminho mais vagaroso e mais difícil, mas é um caminho reto porque nos livra de retrocessos e de becos sem saída.

Por fim, agarre-se às promessas de Deus. Aquele que prometeu é fiel para cumprir. “Ele disse” é a garantia mais eficaz que poderemos ter nesta vida de incertezas. Aquele que Nele crê não será confundido, não será envergonhado. O que Ele prometeu sobre sua vida Ele vai cumprir.


 Saindo do Abismo Digital

Por Eguinaldo Hélio de Souza

Um abismo chama outro abismo… (Salmo 42.7)

Através dos seus dedos é possível acessar as regiões mais profundas do pecado humano por meio da internet. Toda sorte de coisas que contrariam a Deus e sua santidade estão ali acessíveis com apenas um click. Agora, a vida e a morte não estão apenas no poder da língua. Estão também no poder dos dedos. Com eles você pode marchar ao abismo mais profundo da perdição humana e levantar uma grossa parede entre você e Deus, construindo uma escada que desce até o inferno.

Seus momentos de solidão, que poderiam transformar-se em momentos profundos de diálogos com seu Deus, transformam-se em momentos de agonia interna. Ao invés da busca pelo que é do alto, o anseio pelo que vem de baixo. Ao invés do Espírito a carne. Ao invés de Deus, o diabo. Impureza ao invés de santidade, morte ao invés de vida. Ao invés de escalar a montanha você desse ao abismo degrau por degrau.

Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são! (Mateus 6.22, 23)

Você foi chamado para subir ao monte santo do Senhor. Não para descer às regiões escuras do inimigo. Você foi convidado a sair das trevas para a luz, não para virar as costas para a Luz verdadeira que ilumina todo homem que vem ao mundo. Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29). Ele é poderoso para tirar o pecado de sua vida.

É hora de parar de descer e dizer não ao pecado. É hora de se arrepender de seus pecados antes que isso não seja possível. Você precisa do verdadeiro arrependimento, de “metanoia”, mudança de mente. Não pode mais continuar vivendo essa vida dupla. A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens (Tt 2.11)

Se a internet, a netflix ou a tv a cabo fazem você pecar, corta-os e lança-os para longe de você. Porque é melhor que você não desfrute desses recursos da vida moderna e entre na glória eterna, do que tê-las em sua vida agora e passar a eternidade nos abismos eternos.


 Quando Deus Usa os Erros Humanos

Por Eguinaldo Hélio de Souza

Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos. Por isso, não tenham medo. Eu sustentarei vocês e seus filhos”. (Gênesis 50.19, 20)

José foi vendido como escravo pelos seus irmãos, acusado injustamente pela mulher de Potifar e esquecido nas masmorras do Egito pelo copeiro de Faraó a quem ele havia ajudado. Não faltou maldade ao seu redor. Não faltou desprezo. Não faltou descaso. E, contudo, ele foi elevado à posição de vice-governador da nação mais poderosa da época. E não só isso. Esse fato permitiu que toda sua família fosse salva. Deus transformou todos os maus intentos, todas as negligências, todas as maldades em algo bom. Assim é o nosso Deus.

Não significa que não ficaram cicatrizes na alma de José. Ficaram cicatrizes, mas as feridas foram fechadas. Não significa que podemos fazer o mal só porque Deus o transforma em bem. “Quem cometer injustiça receberá de volta injustiça, e não haverá exceção para ninguém” (Colossenses 3.25). Significa apenas que o Senhor é poderoso para nos levar até onde Ele deseja, mesmo quando ao nosso redor as coisas parecem não contribuir para isso.

Ele está acima, muito acima da mesquinhez humana, dos nossos limites e das nossas percepções. Podemos confiar Nele.

Precisamos esperar a história terminar. Enquanto ela está em andamento, tudo parece escuro e sem sentido. O silêncio de Deus é doloroso ao nosso coração e a nossa fé parece não ter onde firmar os pés. Todavia, os anos falarão aos dias e aos meses para nos mostrar que a mais dura das maldades humanas não pode deter os frutos do amor e da graça de Deus em nossa vida.

Não podemos deter agora as lágrimas legítimas que correm dos nossos olhos por causa do que sofremos. Mas podemos fazer como José e permanecer em Deus até que termine o vale da sombra da morte e contemplemos todo o doce que ele produzirá a partir da nossa amargura.

Não podemos impedir os erros e as maldades humanas. Todavia, podemos escolher confiar, temer e obedecer ao Senhor até que Ele, com seu poder e sabedoria eternos, transforme toda nossa morte em vida.


 Deus é o Nosso Oásis

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Ó Deus, tu és o meu Deus; de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água, (Salmo 63.1)

Oásis são como ilhas no deserto. Neles você pode encontrar água em meio à seca, sombra em meio ao sol tórrido, descanso para a fadiga da caminhada, esperança ao longo de uma jornada dolorosa e incerta. Há ali ordem e sentido cercado de caos e confusão por todos os lados.

Deus é o nosso oásis.

Nele podemos encontrar renovação e descanso. Nele podemos matar nossa sede e saciar nossa alma. Nele e só Nele refazemos as forças para continuar nossa marcha até a eternidade. Um deserto sem oásis é uma terra sem esperança. Uma vida que não se achega a Deus e não desfruta Dele perecerá pelo caminho.

Enquanto estivermos neste mundo decaído precisaremos entrar em contato íntimo e real com Aquele que contrasta com todas as coisas ao redor. Precisaremos receber de Deus aquilo que só em Deus se encontra. Tudo o mais morre. Ele vive! E nós vivemos também todas as vezes que nos conectamos a Ele.

Para os que caminham no deserto o oásis não é opcional. É a única garantia de que a viagem chegará a um final satisfatório. Vencer o deserto exige deter-se no oásis. O tempo nesses lugares muda o resultado da jornada, assim como nosso tempo com Deus altera a vida que viveremos neste mundo.

Muitas vezes não queremos parar em meio a correria da vida. Não queremos buscar um lugar onde o Senhor nos falará ao coração e restaurará nosso vigor. Está difícil, mas acreditamos em nossas próprias forças, em nossa própria sabedoria, em nós mesmos. Depois não sabemos porque sucumbimos. Não paramos em Deus, não entramos em Deus, não descansamos Nele. Ignoramos que os momentos com Ele são os momentos que transformam tudo.

Deus é um oásis mais forte do que todos os nossos desertos, mais vivificante que toda morte em volta de nós. Eu vou a Ele porque só assim chegarei até o fim, quando Deus será tudo em todos (1 Coríntios 15.28) e este universo desértico e decaído se tornar um oásis eterno e infinito.


 Três Verdades e Três Perguntas

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Há três verdades poderosas neste Universo; são verdades tão poderosas que exigem uma resposta definitiva do ser humano. Elas excedem tudo o que o ser humano possa criar com sua imaginação, e sua importância vai além de qualquer fato. Pela sua natureza, estas verdades obrigam o homem a se posicionar, a responder por suas atitudes ou pela falta delas durante sua existência. São verdades absolutas, que precisam ser encaradas antes que se encare qualquer outra ação ou valor relativo.

Três verdades sublimes:

1) Deus se fez homem

Sim, isto já foi dito de várias formas poéticas; pois os versos não apenas sintetizam as verdades, mas também têm o poder de amenizá-las. Edward Gibbon, autor do clássico Decline and Fall of the Roman Empire (Declínio e Queda do Império Romano) assim descreveu a encarnação do Verbo:

(…) Aquele Ser que preenche todo o Universo tinha sido confinado ao ventre de Maria; sua eterna duração tinha sido marcada pelos dias, e meses, e anos da existência humana; o Todo Poderoso tinha sido humilhado e crucificado; sua imutável essência tinha sentido dor e angústia; sua onisciência não foi isenta da ignorância; e a Fonte da Vida e da Imortalidade morreu sobre o Monte Calvário. 1

Ou ainda, nas palavras poéticas de um escritor moderno:

“Ele podia segurar o Universo na palma da mão, mas abdicou disso para flutuar no ventre de uma virgem”. 2

A verdade é que o Criador deste Universo imenso e infinito, Ele mesmo em sua natureza, tornou-se humano na pessoa de Jesus de Nazaré e integrou-se a todos os limites que isto implica. O Criador das inúmeras estrelas sentou-se inúmeras vezes nas sinagogas da Judeia e da Galileia, ao lado do lavrador cansado e suado. O Verbo se fez carne e habitou entre nós.

2) Ele levou sobre si todos os pecados da humanidade

Não houve, não há e não haverá solução para o problema do pecado da humanidade, exceto nele. Sua morte na cruz era muito mais do que uma morte na cruz. Era o julgamento da Divindade sobre os incontáveis atos de rebelião da criatura contra o Criador. Era a punição expiatória dos indivíduos. Era a ação legal de um Deus justo e justificador daqueles que têm fé em Jesus. A dor real, a morte real, o sacrifício real do Verbo feito carne. O meio de nos levar a Deus. “A mão que sustentou o Universo recebeu o cravo de um soldado”.3

3) Ele venceu a morte. Ele ressuscitou

Ninguém jamais fez isto. Todos os que voltaram à vida voltaram para morrer novamente. Ele venceu a morte para sempre. Venceu a natureza humana

corruptível para sempre. ELE ESTÁ VIVO PELOS SÉCULOS DOS SÉCULOS. Sim, este é um fato único na história da existência humana e uma garantia do futuro de muitos.

Cada pessoa tem todo o direito de duvidar dessas verdades. Entretanto, se assumir que são verdadeiras, não poderá ficar indiferente a elas; terá de tomar uma posição. Se Jesus é Deus, morreu na cruz pelos nossos pecados e levantou-se dentre os mortos como Vencedor da morte, então, com base nestas 3 verdades, temos de fazer três perguntas.

Três perguntas essenciais:

1) Por que você ainda não se rendeu a Ele?

Pois foi isto que Ele exigiu – a entrega completa da sua vida a Ele. “Quem não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo”. Como você pode continuar vivendo neste mundo sem encarar as consequências dessas verdades? Não são teorias filosóficas; são realidades cujas implicações são infinitas e eternas. Negligências e escusas não as poderão anular; pois exigem uma resposta não apenas verbal, mas de toda a sua existência.

2) Por que você hesita?

“Até quando vocês vão oscilar entre duas opiniões?” Questionou o profeta Elias (1Re 18.21). É impossível estar em dois mundos, impossível servir a dois senhores, viver em dois reinos, andar em dois caminhos. Essas verdades são determinantes, não são adornos verbais para a vida. São como trilhos que, de antemão, definem os rumos de nossa existência e o destino de cada indivíduo. Ou você está nesses trilhos ou fora deles. Não há meio termo.

3) Você pode dar mais?

“Se Jesus é Deus e deu a sua vida por mim, não há sacrifício grande demais que eu possa fazer por Ele” disse David Livingstone. Ele entendeu a dimensão do significado de “o Verbo se fez carne”. Sim, o amor de Cristo nos constrange (2Co 5.14). O amor de Cristo excede todo entendimento (Ef 3.19). Nunca será o bastante tudo o que fizermos ou renunciarmos por Ele. Seguir rumo a uma entrega sempre maior é a coisa certa a fazer. Ele se deu todo, então nosso todo deve ser dele. Nada menos.

O mundo é complexo e, ainda que gastemos toda a nossa vida analisando e discorrendo essa complexidade, não chegaríamos nem perto de compreender todas as questões envolvidas. Mas essas verdades divinas e essas respostas humanas não são opções neste universo complexo; são revelações e exigências de um Deus Real, a quem tudo e todos devem prestar contas.

“E de tudo o que se tem ouvido o fim é: teme a Deus e guarda os seus mandamentos, pois isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra, inclusive o que está escondido, quer seja bom, quer seja mau” (Ec 12.13,14).

 

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Notas

1 GIBBON, Edward. Decline and Fall of the Roman Empire Vol II. Encyclopedia Britannica, INC , 1952, p. 137

2 LUCADO, Max. Seu nome é Jesus. São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p. 9.

3 IDEM p. 105


 Conselhos e Escritores

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Então, o SENHOR me respondeu e disse: Escreve a visão e torna-a bem legível sobre tábuas, para que a possa ler o que correndo passa.

Livro do profeta Habacuque 2.2

Creio que escrever um livro é a experiência mais próxima ao dar à luz que um homem pode ter.

John Stott, célebre autor cristão

Dificilmente fugiremos da obrigação de escrever. Seja uma pequena carta, seja um artigo, uma tese universitária ou mesmo um livro. E se nos sentimos vocacionados para isso, então o desafio é maior. E muitos são os que sequer sabem por onde começar.

1. Ore

O grande pregador escocês Robert Murray McCheyne escreveu:

Entrega-te à oração e obtém os teus temas, os teus pensamentos e as tuas palavras de Deus.

Sim. Se é verdade que o Espírito nos ajuda em nossas fraquezas [limitações] (Rm 8.26) e se é verdade que Deus preparou boas obras para que andássemos nelas (Ef 2.10), então nada mais coerente do que começar orando. Nossa dependência de Cristo não é sinal de fraqueza, e sim de força (Jo 15.5). Ore antes de começar a escrever. Renda-se a Deus e deixe que Ele guie sua vida em todos os sentidos.

2. Se você quer ser escritor, escreva

Por mais talento que você tenha os textos não se escreverão sozinhos. E também não nascerão perfeitos. É preciso treinar e errar e corrigir e treinar de novo. Nada se conclui em um só dia. Até Deus fez o mundo em seis. Poucos são aqueles que estréiam com êxito. A vitória é fruto do suor, mais do que do talento.

É preciso gastar tempo escrevendo, corrigindo, aperfeiçoando. É preciso ler bastante e renunciar momentos de lazer para se dedicar à arte de escrever. É preciso enfrentar o medo de não ser apreciado, de ter o seu texto desprezado, de ficar anônimo. Escreva.

3. Faça um roteiro

Como dizia uma propaganda antiga, quem lê, viaja. E quem escreve também viaja, não sem um roteiro. Como um sermão, qualquer escrito precisa de um esboço prévio, seja um livro de oitocentas páginas, seja um texto de uma página só. As ideias centrais precisam ser delineadas antes de se percorrer

o caminho. São como os trilhos de um trem sem o qual ele não pode chegar ao seu destino.

Escrever se torna bem mais fácil quando você faz um esboço. Funciona como um esqueleto sobre o qual você colocará a carne, os nervos, a pele e por fim dará o sopro da vida. Quanto mais tempo gastar com o esboço, menos gastará com o restante.

4. Seja claro

Nada de palavras rebuscadas e frases complexas. Nada de efeitos estilísticos para os quais você ainda não está preparado. Pense claramente antes de lançar sobre papel o que pretende. Leia o que escreveu como se alguém tivesse escrito para você. Tenha certeza que entenderia se fosse o escrito de outro.

Entre duas palavras, escolha sempre a mais simples; entre duas palavras simples, escolha a mais curta, escreveu Paul Valéry, poeta francês. Por que dizer “tão somente”, se pode dizer “apenas”?

Não use sentenças longas. Alguns escrevem sentenças tão longas que quando se chega ao final, não lembra como começou. Então precisa voltar novamente e novamente até compreender. No máximo três linhas e alguns defendem até menos. Uma frase cheia de vírgulas está pedindo ponto. Por isso, trabalhe com um ou duas ideias por vez em cada sentença.

5. Reescreva quantas vezes for preciso

Quando você lê um texto não imagina que algumas frases foram refeitas diversas vezes. E é bem possível que o autor ainda não ficou satisfeito com o resultado final.

Ernest Hemingway disse que reescreveu trinta vezes o último parágrafo de seu famoso livro Adeus às armas. Trinta vezes. E era o último parágrafo. O esforço valeu à pena, pois a obra se tornou best seller.

Como disse Samuel Johnson, escritor inglês, nada que é escrito sem esforço é lido com prazer.

A preguiça é a primeira inimiga de quem escreve. Escrever leva tempo e escrever bem leva mais tempo ainda. Trabalho e retrabalho são necessários para se fazer um texto. É como lapidar uma jóia. Se queremos que ela brilhe, nenhum esforço é demais. Não deixe que a pressa estrague seu rubi.

6. Depois de escrever, comece a cortar

É bem provável que seu texto esteja cheio de palavras, expressões, frases e sentenças inúteis. Somos seres redundantes. Escrever é cortar. É preferível um texto curto e bom a um longo e prolixo. Nossa tendência é repetir ideias, usar frases longas, palavras desnecessária. A melhor coisa é estabelecer limites para o nosso texto

Durante um tempo escrevi para um jornal secular de São Bernardo uma coluna semanal denominada Fim de Papo. Tratava-se de crítica social e a editora do jornal limitou meu texto a 1436 toques. Eu escrevia o texto e depois me divertia substituindo palavras, frases e cortando tudo o que era inútil. Foi um excelente exercício. Quando ofereceram espaço maior, recusei. É muito bom aprender a cortar. Experimente.

Claro que eu não disse tudo. Você descobrirá muito mais quando começar a escrever. Portanto, comece. O tempo urge e com certeza há pensamentos, projetos e visões em seu coração. Elas precisam tornar-se bem legíveis para os que passam correndo.


 Livrai-nos, Senhor, das Raízes Amargas

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus; que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando muitos (Hebreus 12.15)

Ajuda-nos, Senhor, porque raízes venenosas têm tentado dominar os nossos corações. Uma revolta amarga quer lançar suas raízes no âmago do nosso ser. Um redemoinho de sentimentos e pensamentos destruidores deseja fazer morada em nós, tomar o lugar que só a Ti pertence. Ó Lavrador Celestial, arranca deste solo toda raiz que não veio de Tuas mãos.

Há momentos em que as maldades deste mundo decaído ferem fortemente nossa alma e as setas peçonhentas do inimigo cravam fundo em nosso espírito. Facilmente raízes venenosas se abrigam em nosso solo e se não arrancadas a tempo produzem seus frutos de morte.

Nós bem sabemos o quanto esta raiz de amargura nos privará de Tua graça. Não existe alegria verdadeira onde não se sente Teu favor. Por isso pedimos que a Tua doce graça cure o gosto do amargor em nossas bocas e traga ao mais profundo do nosso ser a doçura da Tua maravilhosa presença.

Esta raiz de amargura perturba tudo ao derredor. Transforma toda luz em escuridão, toda alegria em angústia, o amor vira ódio. Impede-nos de confiar, de amar, de lutar, de viver e de ver Tua bondade e Tua glória. Impede-nos de ver as portas abertas, de ver Tua mão poderosa, de ver Tua luz a nos guiar. Fala Senhor, e faz calar a voz da tempestade em nosso interior. Faz brilhar o Sol do Teu amor uma vez mais. Tira de mim aquilo que não vem de Ti.

Não permita que a amargura em nosso ser contamine os que estão perto de nós. Não queremos corromper aqueles que nos tocam, que nos ouvem, que nos amam. Nós queremos ser somente sal e luz, jamais treva e dissabor. Se não posso ser bênção que eu me cale até que a doçura da Tua graça se derrame outra vez através de nossos lábios e a beleza da Tua vida se faça sentir no Teu amor que nos invade.

Cura-nos, ó Deus, porque também queremos curar. Ilumina nosso mais interior para que o brilho de Tua luz se irradie neste mundo tão escuro. Sara nossa terra, livra-a destas ervas venenosas.


 Vivemos no Intervalo

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Eu já estou sendo derramado como uma oferta de bebida. Está próximo o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia… (2 Timóteo 2.6-8)

Somos peregrinos. Este é o nosso deserto. Já deixamos o Egito, mas não chegamos ainda à nossa Canaã. Não é tempo de guardar as armas, de assentar-se sob a sombra, de parar de caminhar. Nossa carreira ainda não acabou. A prova disso é que ainda estamos aqui. Nosso destino é mais além. Não importa quão longo tenha sido a nossa jornada, nosso olhar deve permanecer no horizonte. Nosso descanso não é aqui (Miquéias 2.10)

Este nosso tempo, é tempo de expectação, não de conclusão. É apenas um intervalo, não a plena realização. Estamos aqui para missão e não para desfrute. Precisamos entender isso para que não vivamos como se a guerra tivesse acabado e como se a colheita de agora fosse a definitiva. É apenas uma fase. A concretização ainda nos espera.

Essa atitude do coração é essencial para todo caminhante. Senão corremos o risco de sermos submergidos pelas bênçãos ou vencidos pelas aflições. Podemos nos distrair com as vitórias passageiras e perder de vista àquela que é eterna.

Quando nos esquecemos de nossa condição de peregrinos, os prazeres deste mundo podem facilmente nos roubar o prêmio real. Amados, eu vos advirto, como peregrinos e estrangeiros que são, a manter distância dos desejos carnais que lutam contra a alma (1 Pedro 2.11). Então queremos ficar em casa quando é tempo de guerrear e como Davi somos arrastados para o fundo por desejos bem nocivos (2 Samuel 11.1, 2).

Chegará o momento no qual teremos concluído o bom combate. Nossa carreira tem seu tempo determinado pelo Soberano. Enquanto isso, nossa fé precisa ser guardada e nossa coroa conservada sobre nossas cabeças para que todas as nossas conquistas permaneçam e tenham a devida recompensa.

Compreender a transitoriedade deste nosso tempo não significa vive-lo de modo negligente e displicente. Pelo contrário. Cada ato, palavra e atitude são preciosos porque sabemos que com eles estamos construindo a nossa eternidade.