Não Eu, Mas a Graça de Deus Comigo

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Mas, pela graça de Deus, sou o que sou, e sua graça para comigo não foi inútil; antes, trabalhei mais do que todos eles; contudo, não eu, mas a graça de Deus comigo. (1 Coríntios  15.10).

 

Não há duvidas de que admiramos o apóstolo Paulo, seja por seu andar com Deus, seja pelas revelações que nos trouxe, seja pelo seu trabalho incansável. Sabemos mais sobre ele do que sobre qualquer outro apóstolo. Foram muitas as suas realizações e tal é nossa admiração que corremos o risco de perder de vista o Deus por trás do homem. E então, de repente, ele declara: “não foi eu. Foi a graça de Deus comigo”.

Isso não foi uma falsa humildade. Foi a mais pura verdade e uma grande lição. Só podemos viver no Reino de Deus através da graça de Deus, através de sua bondade imerecida agindo em nós. Somos incapazes em nós mesmos de realizar qualquer coisa nessa esfera, a menos que o próprio Deus atue em nós. Paulo não estava sendo modesto, estava sendo verdadeiro. Assim como Sansão sem o Espírito não tinha força especial alguma e Paulo sem a graça não seria nada, eu e você dependemos completamente do agir de Deus em nós para realizarmos seus propósitos.

Sempre corremos o risco de admirarmos o homem, de fazer da inteligência e da capacidade humana nosso alvo, quando na verdade é a graça de Deus que deve ser buscada em tudo.

Também corremos o risco de achar que somos incapazes ou de que somos muito capazes. Tanto uma coisa quanto a outra nos afasta da realidade. Não importa nossa incapacidade – Ele nos capacita. Também não importa nossa capacidade. É da capacitação Dele que precisamos. Nossa capacidade vem de Deus (2 Coríntios 3.5).

Somente essa atitude interior de reconhecimento de dependência total dará abertura ao fluir de Deus em nós. Ele resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (1 Pedro 5.5). Essa atitude interior abre as janelas dos céus sobre nossas vidas. É a consciência dessa verdade que impede que o terrível orgulho se aposse de nossa alma e bloqueie a ação divina através da nossa vida.

O segredo da vitória permanece o mesmo. Não eu, mas a graça de Deus comigo.


 Não é Desperdício

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Lá estava Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso, assentado à mesa. Ela chega de repente. Trás nas mãos um vaso de alabastro contendo um perfume muito caro. Ainda de forma repentina quebra o vaso e derrama o perfume sobre a cabeça de Jesus. “Alguns dos presentes começaram a dizer uns aos outros, indignados: “Por que este desperdício de perfume?”(Marcos 14.4).

Não podemos ter a ilusão de que todos compreenderão a nossa entrega ao Senhor. Muitas vezes nosso desejo de agradar a Cristo será chamado de desperdício. Parentes e amigos e até irmãos em Cristo, criticarão nossas atitudes para com Deus e seu Reino. A grande maioria não dará valor às nossas renúncias.

Eles criticarão o tempo que gastamos com Deus. Desaprovarão o fato de dedicarmos nossas capacidades e talentos para o Reino de Deus ao invés de usá-los para o nosso próprio proveito. Acharão loucura o dinheiro que empregamos na causa do Senhor. Dirão que estamos desperdiçando nossa vida, a vida que resolvemos consagrar inteiramente aos pés de Cristo. Dirão até que estamos loucos.

Não importa. O homem natural jamais compreenderá as coisas do Espírito. Essas sempre lhe parecerão loucura. (1 Coríntios 2.14). E muitas vezes, mesmo aqueles que conhecem a Deus não possuem o coração entregue a ponto de dedicar o melhor de si a Ele.

No entanto, quem nos julga é o Senhor. Como não deve ter sido embaraçoso para aqueles homens ver que ao invés de confirmar suas críticas, Jesus, ao contrário, a elogiou e abençoou. Ele a exaltou como a nenhum deles. Não sabemos sequer os nomes desses críticos. Não conhecemos sequer um ato da maioria deles. Enquanto a história dessa mulher tem percorrido o mundo junto com o Evangelho de Cristo.

Não, não é desperdício o que você faz no Senhor e pelo Senhor. Não é vão o tempo gasto em oração e na Palavra. Não é inútil a vida dedicada à pregação. O dinheiro consagrado ao Senhor é bendito. Os talentos, as energias, a vida, enfim, que se derrama como bálsamo sobre o Senhor está longe de ser um desperdício. Na verdade, é o melhor investimento que alguém pode fazer. Nossa obra não é vã no Senhor (1 Coríntios 15.58)


 Não Damos Valor

Por Eguinaldo Hélio de Souza

     

               O que tens em tuas mãos? (Êxodo 4.2)

            Mas o que é isto para tanta gente? (João 6.9)

 

Corremos o sério risco de não perceber o valor das coisas que temos em nossas mãos. Quantas pessoas só perceberam a importância do que possuíam depois de perder. Muitos gostariam de voltar atrás e dizer palavras boas a certas pessoas e já não podem porque faleceram ou estão muito distantes. Outros gostariam de ter oportunidades que tiveram, mas não há mais como. Ainda alguns dariam tudo para reaver coisas que desprezaram, sabendo que agora é tarde.

Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude, antes que venham os dias difíceis e se aproximem os anos em que você dirá: “Não tenho satisfação neles”; antes que se escureçam o sol e a luz, a lua e as estrelas, e as nuvens voltem depois da chuva (Eclesiastes 12.1, 2).

É possível que hoje mesmo, coisas muito valiosas colocadas por Deus em seu caminho, estejam sendo desconsideradas. “É no teu presente que teu futuro será  forjado. Com os elementos do teu hoje, o teu  amanhã será construído”.

Você não tem sido capaz de enxergar as pessoas abençoadoras que Deus colocou em seu caminho. Você tem ficado distraído durante os cultos e não tem prestado atenção às mensagens das quais precisará muito amanhã. Você tem negligenciado a oração, a leitura da Bíblia, o tempo com Deus. São pérolas preciosas às quais você tem pisado e que no futuro farão imensa falta. Você tem tempo sobrando, oportunidades imensas, pessoas especiais ao seu redor e não consegue dar o valor devido a elas. A displicência, a negligência e as omissões de hoje serão vazios amanhã.

Deus não irá abençoá-lo no futuro. Ela já o está abençoando no presente. Ele não vai fazer, Ele está fazendo. E está fazendo através de pessoas, de circunstâncias, através da disponibilização de coisas que vão contribuir com o seu crescimento e fortalecimento agora, para que o seu depois seja ainda mais pleno de bênção.

Deus é o Deus do presente, do hoje, do agora. Que Ele abra os seus olhos e mostre as coisas maravilhosas com as quais cercou a sua vida.


 Não Compre Seu Milagre. Creia Nele

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Se tu creres verás a glória de Deus (João 11.40)

 

Nenhum ato humano pode produzir o menor milagre da parte de Deus. Não há esforço, por maior que seja, capaz de mover o coração do Senhor e obrigá-Lo a nos abençoar. Nenhum dinheiro, nenhuma ação repetitiva, nenhuma fórmula mágica tem poder para produzir o sobrenatural divino. Nenhum objeto pode substituir a fé em nosso relacionamento com o Deus dos milagres. Os milagres só podem ser recebidos pela fé.

“A tua fé te salvou”, foi a frase dita inúmeras vezes por Jesus àqueles que foram agraciados pelo seu poder. O cego, a mulher do fluxo de sangue, o leproso, o paralítico – todos eles foram elogiados pela confiança que depositaram. E o resultado dessa confiança foi o agir de Mestre em suas vidas. O poder dele se manifestou trazendo cura e libertação, transformação e glória.

“Se tu creres verás a glória de Deus” (João 11.40). Ele não disse “se tu fizeres isto ou aquilo”. Ações não movem a Deus. A fé move a Deus. E Aquele que sonda os corações sabe o quanto cremos Nele.

Claro que os homens e mulheres nos Evangelhos tiveram atitudes de fé. O cego gritou, a mulher hemorrágica o tocou, o leproso ajoelhou e o paralítico foi ajudado pela fé de seus amigos que subiram no telhado. No entanto, há atos de fé e atos sem fé. Nem todos que gritam são curados, nem todos que vencem multidões são curados, nem todos que se ajoelham são curados. Somente os que fazem tudo isso pela fé.

Alguém já comparou a fé com uma mão que se estende para receber um presente. Milagres são presentes de Deus. Presentes não são merecidos. Presentes são recebidos com humildade. E essa humildade receptiva se chama fé. Nossos milagres jamais serão fruto de nossos esforços. Serão sempre produto de corações que descansam e confiam Nele.

Porque assim diz o Senhor, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em repousardes, estaria a vossa salvação; no sossego e na confiança, estaria a vossa força, mas não a quisestes (Isaías 30.15).

Jamais seremos ricos o bastante para comprar os seus milagres. Mas podemos ser humildes o bastante para confiar no seu amor por nós.

 

 


 Não Adianta Teimar com Deus

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Eu o instruirei e o ensinarei no caminho que você deve seguir; eu o aconselharei e cuidarei de você. Não sejam como o cavalo ou o burro, que não têm entendimento, mas precisam ser controlados com freios e rédeas, caso contrário não obedecem. (Salmo 32.8, 9)

 

Teimoso não é aquele que insiste em algo porque desconhece a exata vontade de Deus. Também não é aquele que não aprendeu ainda a discernir a vontade do Senhor e se empenha na direção errada. Tais atitudes podem trazer prejuízos, mas trarão maturidade e crescimento. Escolhas erradas com um coração sincero podem ser revertidas. O problema são as escolhas erradas de corações insinceros, não rendidos aos pés do Mestre, recusando-se a deixar sua própria vontade.

O teimoso é aquele que mesmo conhecendo as orientações claras da Palavra de Deus e tendo no coração o claro testemunho do Espírito sobre determinado assunto, procura ignorar tudo isso e seguir em frente. Nesse processo, muitas vezes, ele mente para si mesmo, pois sabe estar fazendo o que não deveria. Ele procura calar a voz do Espírito. Deliberadamente rejeita o senhorio de Cristo sobre si.

A mulher de Ló, Balaão, Saul, Judas – são alguns exemplos de personagens nas Escrituras que ignoraram a clara vontade do Senhor e tiveram experiências amargas por isso. Mesmo homens tementes sofreram as conseqüências de sua teimosia, como o profeta que foi de Judá a Betel (1 Reis 1311-26) e Davi que insistiu em contar o povo (1Crônicas 21.2-7). “Quem jamais se endureceu contra Ele e teve paz?” disse Jó (Jó 9.4). Ninguém.

Deus pode perdoar nossas dúvidas com relação à sua vontade. Muitas vezes somos incapazes de discerni-las. O Senhor compreende nossas fraquezas porque ele também em tudo foi tentado como um de nós. Ele só não pode aceitar nossa teimosia. Nossa obstinação é uma afronta à sua soberania.

Portanto, se hoje ouvirdes a Sua voz, não endureçais os vossos corações (Hebreus 3.7, 8)

Não vale à pena teimar contra Deus. Pelo contrário. Só vale à pena render-se a Ele e deixar que Ele guie as nossas decisões. Ao final vamos sorrir.


 Na Hora em que não Penseis

Por Eguinaldo Hélio de Souza

“E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono…” (Rm 13.11)

 

Pode ser agora. Pode ser daqui a alguns instantes. Pode ser daqui a uma hora, amanhã, na próxima semana ou no próximo mês. Ou talvez não seja possível nem mesmo terminar de ler este artigo. “O Filho do Homem virá, à hora em que não penseis” (Mt 24.44). Jesus está voltando!

Mas na maioria das vezes nós, verdadeiros cristãos, planejamos, prevemos, plantamos, construímos e vivemos como se vinda de Cristo fosse um fato remoto, longínquo, que não vale a pena ser levado em conta dentro de nossos planos. Todavia, bem pode ser que dentre os muitos que hoje estão vivendo no Senhor, hajam noivos que não contrairão núpcias, vestibulandos que não se formarão, agricultores que não comerão da semente que plantaram, nem morarão na casa que edificaram, nem desfrutarão aqui dos filhos que recém nasceram. Bem pode ser nem mesmo esta matéria eu consiga terminar. O tempo se abrevia (1Co 7.29).

Não estamos falando de uma ficção tirada de algum livro ou filme. Estamos falando de uma promessa dita por alguém que não pode mentir. “… virei outra vez e vos levarei para mim mesmo…” (Jo 14.3). Estamos falando de NOSSA ESPERANÇA! Que não é de modo alguma uma vida próspera e abundante nesta Terra, nem o cumprimento de promessas individuais e específicas. Nossa esperança é bem maior do que isto – é a vinda do Senhor Jesus nos ares para buscar sua Igreja. Todos os nossos anseios, todos os nossos planos, todas as nossas esperanças precisam estar alinhados com esta GRANDE ESPERANÇA, subordinadas à convicção de que tudo pode ser cessado à qualquer hora, para dar lugar ao próximo evento mais importante da História – o retorno de Jesus a este mundo.

“Pois o mesmo Senhor descerá do céu com grande brado, soada a voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor” (1 Tess 4.16,17).


 No Centro do Universo Existe uma Cruz

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado (1 Coríntios 2.2)

Cruzes viraram enfeites. Podemos vê-las adornando orelhas e pescoços, decorando paredes e recintos e até ornando orlas e montes nas grandes e pequenas cidades. Acostumamos tanto com elas que seu sentido se perde em meio à sua quase onipresença. Seu significado real, poderoso e profundo corre o risco de apagar-se em um mundo de tantos símbolos.

Isso porque o objeto não pode sobrepor-se Àquele que com sua entrega transformou um instrumento de tortura e morte em símbolo de perdão e vida. A visão do Jesus crucificado com certeza não trouxe nenhum sentimento bom para aqueles que tiveram a oportunidade de estar ali. Olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos para que o desejássemos (Isaías 53.2)

Contudo, ali não estava um acidente da história. O que se revelava naquela cruz era o plano de um Deus que amou um mundo decaído a ponto de entregar para salvá-lo o maior objeto do seu amor – Seu Único Filho. A história, marcada pela queda e pela desobediência humana, estava agora sendo marcada para sempre com o sangue do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Apocalipse 13.8). Uma humanidade manchada pelo pecado, seria então, na cruz, purificada pelo sangue Daquele que expirava sobre ela.

Um universo decaído e decadente tinha agora fincada em suas entranhas, uma cruz, e sobre ela Aquele que a tudo estava purificando pelo sacrifício de si mesmo. No coração do tempo e do espaço, o coração do Filho sangrava para redimir tempo e espaço.

Aquela cruz, que era sem dúvida “escândalo para judeus e loucura para gregos” (1 Coríntios 1.23) se estabelecia como a realização de um eterno propósito redentor, manifestando ao mundo uma eterna redenção. Era o “poder de Deus e sabedoria de Deus” (1 Coríntios 1.24) tornando-se tangível a toda humanidade.

Só a revelação de Deus pode explicar como um objeto tão feio e hediondo possui tanto poder para atrair pessoas de todos os tipos e pensamentos, levando-os a render-se completamente Àquele Crucificado.

E eu quando for levantado da terra, todos atrairei a mim (João 12.32)

No meio deste universo misterioso existe uma cruz. Bem-aventurados aqueles que já foram purificados e se entregaram plenamente Àquele que nela pereceu.


 Compreensão Tardia

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Respondeu Jesus: “Você não compreende agora o que estou lhe fazendo; mais tarde, porém, entenderá”. (João 13.7)

Um dia olhamos para trás e percebemos que aquilo que pareciam tropeços, na verdade foram impulsos que nos fizeram avançar. E pessoas das quais não gostávamos e a respeito das quais tanto reclamamos foram de fato instrumentos eficazes para nos aperfeiçoar. Entendemos que momentos amargos nada mais foram do que remédios que curaram doenças profundas em nossa alma e corrigiram deficiências internas que nos impediam de caminhar. Percebemos então, que as estações mais difíceis, os rigorosos invernos de nossa jornada foram os melhores treinamentos que recebemos, melhores do que qualquer curso ou faculdade que fizemos.

Ao refletir sobre esses anos que passaram, enxergamos de modo muito claro que aquilo que chamamos de acaso, na verdade era a mão poderosa de um Deus Todo Poderoso a guiar nossos caminhos. E aquelas situações que julgamos ser o fim de tudo, eram na verdade novos recomeços que o Senhor estava trazendo à luz. Para nós eram pontos finais. Para Ele, eram vírgulas ou apenas o fim de um parágrafo. E nossa história continuava com um novo prisma, um novo foco, uma direção completamente diferente.

De fato, o nosso hoje, o nosso presente em Deus, está cercado de flores e frutos resultantes de nosso ontem NELE. Aquelas preciosas sementes, às quais plantamos enquanto andávamos e chorávamos, tornaram-se feixes de benção e alegrias. Nem sempre amamos o nosso ontem como amamos o nosso hoje. No entanto, um jamais pode existir sem o outro.

Da mesma forma é preciso compreender que a escuridão e a dor inexplicável de nosso agora, será a clareza e a luz de nosso amanhã. Nessas horas não podemos parar, não podemos recuar, não podemos fugir. Pois ninguém colherá aquilo que não plantou e não ceifará aquilo que não semeou.

E por fim aprendemos que o que faz sentido só faz sentido à luz de Deus porque Ele é a mão invisível a escrever Sua História nas páginas da nossa.


 Muito Além do Dízimo

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Dizimar, ou seja, consagrar ao Senhor dez por cento de nossas rendas é um ato simbólico, cujo significado vai muito além do valor doado. É uma forma de Deus reconhecer o senhorio de Deus sobre nós, sobre nossas posses, sobre o fruto de nosso trabalho, sobre a obra de nossas mãos. É uma relação que envolve muito mais do que dinheiro e bens. Envolve nossas convicções e decisões mediante o conhecimento de quem Deus é e do que Ele faz.

Nós damos ao Senhor não apenas porque Ele nos deu primeiro. Nós damos ao Senhor porque nós somos Dele. Ele não é dono de apenas uma parte de nossas rendas. É dono de todas as nossas posses, de todas as nossas escolhas, dono de todo nosso ser. Nada do que temos ou somos está fora de seu domínio.

Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam (Salmo 24.1). Tudo é Dele. Desde a maior estrela até o menor grão de areia – tudo foi criado por Ele e para Ele. Você que entrega seu dízimo ao Senhor pertence a Ele, bem como aquele que não entrega. Todavia, você faz parte dos que reconhecem a Soberania de Deus. Você é alguém que sabe que sua vida e todos os seus caminhos estão nas mãos do Altíssimo.

O seu dízimo é a prova de sua submissão ao Senhor, prova do reconhecimento de que Deus é o seu Sustentador e Provedor, algo muito além de um mero valor financeiro.

Há muitas empresas que por diversas razões contribuem com causas sociais. Isso é louvável. No entanto, o coração que oferece a Deus parte de suas conquistas, reconhecendo a Ele como a fonte de tudo, está realizando um ato de adoração e rendição.

Em um mundo onde se nega a existência a Deus e se procura reter mais do que é devido, alguém que oferta a Ele de livre e espontânea vontade está prestando um verdadeiro culto. Em algum momento esse simples ato simbólico de dizimar irá se revelar um perfeito ato de adoração.

E outra vez vereis a diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não serve a Deus. (Malaquias 3.18) 


 Muito Além das Lágrimas

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Então, Davi e o povo que se achava com ele alçaram a sua voz e choraram, até que neles não houve mais força para chorar. (…) E Davi muito se angustiou, porque o povo falava de apedrejá-lo, porque o ânimo de todo o povo estava em amargura (…); todavia, Davi se fortaleceu no SENHOR, seu Deus. (1 Sm 30.4, 6)

 

Não há nada errado em chorar. Não chorar é negar nossa dor e nossa humanidade. Reter as lágrimas diante das calamidades e da aflição é fingir com o corpo e com a alma que a realidade não nos atinge quando na verdade ela nos atinge e muito.

Necessitamos sim, chorar aos pés do Senhor, derramar lágrimas diante Dele. E não apenas lágrimas. Nossa ansiedade, nossa dor e até nossa alma precisam ser colocadas diante de Deus. Confiai nele, ó povo, em todos os tempos; derramai perante Ele o vosso coração; Deus é o nosso refúgio. (Salmo 62.8). O choro aos pés de Cristo é o choro da esperança. Longe Dele, é o choro do desespero.

Entretanto, precisamos ir além do chorar, precisamos nos elevar acima da dor. É preciso ter consciência de que o choro é apenas uma etapa, aliás uma pequena etapa do caminho da vitória. O povo levantou-se para apedrejar a Davi, enquanto Davi se levantou e se fortaleceu no Senhor. Ele se levantou para buscar a Sua Palavra e sua direção. Davi também chorou, mas parou de chorar para tomar posição e fazer o que era necessário.

Os problemas são reais, a dor é real, os sentimentos são reais, mas essa não é a única realidade. Deus também é real. Sua presença é real, Sua palavra é real, Sua ação é real, Sua ajuda é real. Temos que nos levantar de nossas lágrimas, de nossa dor, de nossa angústia, para buscar a Deus, buscar Sua Palavra, Sua ajuda, Seu poder.

Os que semeiam em lágrimas ceifarão com alegria porque levam a preciosa semente andando e chorando. Eles não param. (Salmo 126.5, 6)

A dor, o choro e a luta cessarão um dia. Deus enxugará de nossos olhos toda lágrima (Apocalipse 21.4). Enquanto isso não acontecer, levante as mãos cansadas, os joelhos trêmulos e faça um caminho firme e seguro para os seus passos (Hebreus 12.12, 13). Vá além das lágrimas.