Ferramentas Divinas de Transformação

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito (Provérbios 4.18)

 

Nenhum cristão já está pronto e acabado. Sua vida interior está em constante transformação. Todos somos vasos permanentemente nas mãos do Oleiro. Sua obra em nós é constante. Estamos sendo moldados, mudados e aperfeiçoados. Pelo menos este é o propósito de Deus para nós. Essa transformação é uma verdade que  permeia toda  a Bíblia (Jeremias 18.1-6; Provérbios 4.18; 2 Corintios 3.18; Romanos 12.2; Efésios 3.22-24; Colossenses 3.9,10).

Ele usa pelo menos três ferramentas nesse processo.

Deus usa seu Espírito. Há um outro Espírito em nosso espírito, um outro Ser habitando em nosso ser. E este é Deus em nós. Não é uma visita divina, é uma  habitação divina. Também não se trata de uma presença passiva, mas de Alguém que ativamente trabalha no mais profundo de nosso coração, onde homem algum pode chegar. Ele estará nos transformando, naquilo que planejou. Temos que nos moldar à “intenção do Espírito” cada dia mais (Rm 8.27)

Deus usa sua Palavra. Nossa mente está repleta de conceitos errados e noções pecaminosas. Ela precisa ser refeita. Nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus (Is 55.8,9) E para que a nossa mente se harmonize com a mente de Cristo em nós, precisamos encher nosso coração com a Palavra (Cl 3.16), mesmo que esta tenha que bater até destruir (Jr 23.29), perfurar até dividir alma e espírito (Hb 4.12).

Deus usa as circunstâncias. Davi disse que antes dele ser afligido ele andava errado. Desde então ele passou a guardar a Palavra do Senhor (Salmo 119.67). Nossas dores nos ensinam, nossas dores nos educam. Deus nos refina como se refina a prata, nos aperfeiçoa como quem purifica o ouro. Esse processo é doloroso, é desgastante, mas é transformador. Nem sempre é o desejo de Deus que as circunstâncias mudem. Muitas vezes, ele quer as circunstâncias nos mudem. O vaso terá que ser totalmente quebrado para que possa ser totalmente refeito.

Durante o processo nada compreendemos. Todavia, após o término do agir de Deus somos capazes de ver sua beleza e sua força em nossas vidas. Deus é o Deus de toda transformação.


 Feito Duas Vezes

Por Eguinaldo Hélio de Souza

Para o que fomos feitos? Com certeza não fomos feitos para tudo e para qualquer coisa. Fomos criados por Deus para realizar sua vontade. Todavia, sua vontade é ampla, como ampla são as necessidades do mundo. Alguns foram feitos para liderar, outros para ajudar. Uns foram feitos para escrever, outros para falar e ainda outros para cantar. Uns organizam, outros aconselham, outros executam. Variados são os homens e suas capacidades, como variadas são as necessidades ao nosso redor e como diversas são as obras de Deus.

Foi Deus quem nos fez e descobrir para que eles nos fez é essencial para a vida. Tenho de olhar para mim e descobrir para o que Ele me tornou apto. O Deus Criador é o Deus Sábio. Ele me fez único, com características únicas, para realizar tarefas únicas.

E não posso esquecer que ele me fez duas vezes.

A primeira vez que fomos feitos foi no ventre de nossa mãe. Sobre isso escreveu Davi, inspirado por Deus, de uma forma muito bela no Salmo 139:

Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção. Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado.

A segunda vez que fomos feitos, fomos feitos em Cristo Jesus. Sobre isso lemos em Efésios 2.10:

Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos.

E nessas duas criações nós recebemos tudo o que necessitamos para cumprir o seu propósito. Saber exatamente quem somos e o que temos Nele é vital para nossa caminhada.  Nossa missão depende do que temos e somos. Fomos feitos para ela e ela foi feita para nós. Por isso, conhecer nossos dons e habilidades é essencial. Este é de fato o primeiro passo.

 


 Fale Com a Pessoa Certa

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Assim ela partiu para encontrar-se com o homem de Deus no monte Carmelo. Quando ele a viu à distância, disse a seu servo Geazi: “Olhe! É a sunamita! Corra ao seu encontro e pergunte a ela: ‘Está tudo bem com você? Tudo bem com seu marido? E com seu filho?’ ” Ela respondeu a Geazi: “Está tudo bem”.(1 Reis 4.25, 26)

 

Por um tempo este texto me incomodou. Ao dizer que estava tudo bem quando na verdade não estava, parecia que esta mulher estava mentindo sem qualquer razão aparente. Ele negou para Geazi o que mais tarde confessaria ao profeta Eliseu. Seria uma atitude inadequada.

No entanto, o tempo nos ensina que não devemos abrir nosso coração a qualquer pessoa. Embora guardar nosso sofrimento sem compartilhar com ninguém pode ser destrutivo, pode ser igualmente destrutivo compartilhar com alguém inadequado.

Mais tarde, os problemas de caráter de Geazi haveriam de manifestar. Naquela mesma ocasião ele se mostrou impotente para resolver o problema da viúva e o próprio Eliseu teria de ajudar diante disso. Ao ignorar um e se abrir ao outro ela não estava escondendo e nem ignorando os seus sentimentos. Ela estava lidando com eles de modo certo. Nem todos podem nos ajudar.

Virão momentos em sua vida nos quais precisará não apenas de um ombro amigo, mas de alguém com graça e unção de Deus para o ajudar. Pessoas para as quais você irá vazio e retornará cheio, chegará chorando e sairá sorrindo. Pessoas a quem Deus colocou em seu caminho para ajudar e abençoar.

De igual modo, Deus quer que sejamos as pessoas certas para aqueles que nos procuram. Eliseu tinha dentro de si a graça de Deus para ajudar aquela viúva. Ele tinha algo de Deus para dar a ela. Mesmo que a princípio não soubesse o que fazer, o poder de Deus se manifestou enfim e ela teve seu filho de volta. Que você seja a voz e a mão de Deus para aqueles que o procuram.

O Senhor Deus me deu uma língua erudita, para que eu saiba dizer, a seu tempo, uma boa palavra ao que está cansado. (Isaías 50.4)

 

 


 Eu Quero Fugir!

Por: Eguinaldo Hélio de Souza

 

O meu coração está dolorido dentro de mim, e terrores de morte sobre mim caíram. Temor e tremor me sobrevêm; e o horror me cobriu. Pelo que disse: Ah! Quem me dera asas como de pomba! Voaria e estaria em descanso. Eis que fugiria para longe e pernoitaria no deserto. Apressar-me-ia a escapar da fúria do vento e da tempestade. (Salmo 55.4-8)

 

Há momentos em nossa vida em que a angústia e os problemas nos cercam e o nosso pensamento é só um – fugir. Algumas vezes, se formos sinceros, nosso problema não é tão grande e nem tão grave, principalmente se formos comparar com as aflições de nossos irmãos ao nosso redor. E ainda assim, ao invés de enfrentarmos o problema, de confiarmos em Deus e aguardar a vitória da parte Dele, nós fugimos ou pelo menos tentamos fugir.

Em muitas ocasiões a situação ficará difícil para nós. Sentiremos apertos por todos os lados: na família, no trabalho, na igreja. Nessa ocasião muitos acreditam que indo para outro lugar, deixando para trás tudo aquilo que construíram e mudando de lugar tudo se resolverá. Muitos divórcios são fruto desse desejo de fugir. Pessoas deixam suas igrejas e fogem. Alguns deixam seu chamado e ministério. Fogem para outras atividades, para outras rotinas, fogem.

Nenhum soldado de Israel foi capaz de vencer Golias, porque quanto ele aparecia no vale, todos corriam. Fugiam na ilusão de que sua fuga iria fazer aquele gigante desaparecer. Todavia, no dia seguinte, ele estava lá de novo, tão grande quanto sempre fora, tão ameaçador quanto sempre. A fuga do dia anterior não teve o poder de mudar a situação. Somente quando alguém decidiu enfrenta-lo ao invés de fugir foi que a situação se alterou.

Ficar, sofrer, enfrentar e esperar a tempestade se acalmar. Tomar atitude de fé, se acalmar, colocar a ansiedade nas mãos daquele que cura todas as nossas ansiedades. Ficar firme no Senhor. E quando olharmos os gigantes terão desaparecido e nós estaremos em pé diante do Senhor.

Não fuja, permaneça no Senhor.

Anda por onde quiseres, jamais encontrará paz senão na humilde sujeição e obediência ao superior. A imaginação de lugares e mudanças a muitos tem iludido. (Imitação de Cristo, Tomás  de Kempis, Livro I, 9,1)

 

 


 Equilíbrio

Por: Eguinaldo Hélio de Souza

 

Olhai, pois, que façais como vos mandou o SENHOR, vosso Deus; não declinareis, nem para a direita, nem para a esquerda. Andareis em todo o caminho que vos manda o SENHOR, vosso Deus, para que vivais, e bem vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir. (Deuteronômio 5.32, 33)

Um dos cuidados que devemos ter em nossa caminhada com Deus é não cairmos nos extremos. É muito fácil exagerarmos para um lado ou para o outro e assim perdermos a direção. Coisas boas, em excesso, tornam-se prejudiciais. E quando faltam também. Tiago nos instruiu a pedir sabedoria a Deus (Tiago 1.5). E ter sabedoria inclui o equilíbrio em nossas ações.

É bom ser tolerante, mas o excesso de tolerância pode ser nocivo, quando permitimos que o mal e a desordem reinem devido a nossa tolerância. Por outro lado, nossa intolerância pode destruir o ânimo e as boas intenções daqueles que nos cercam.

Trabalhar é bom e Deus não ama a preguiça. Só trabalhar sem descanso pode se tornar o caminho para a autodestruição. O mandamento divino de seis dias de trabalho e um de descanso tinha por finalidade estabelecer o equilíbrio entre descanso e trabalho. Falta de dedicação e excesso de dedicação, ambas fogem do caminho do meio estabelecido por Deus. Precisamos de equilíbrio.

Podemos possuir bens, mas os bens não podem nos possuir. Ser bem sucedido é o desejo natural de todo ser humano. Entretanto, muito o conseguiram destruindo sua própria felicidade. É correto por amor suportar certas situações, mas ser passivo quando deveríamos reagir ao mal não é uma virtude.

Contudo, qualquer pessoa que já tentou quando criança equilibrar uma vassoura na ponta dos dedos sabe o quanto é difícil. É preciso cuidado constantes, ajustes constantes, plena atenção. E ainda assim por diversas vezes o objeto de nosso equilíbrio cairá de nossas mãos. E será errando e corrigindo que aprenderemos o caminho do meio, a ação correta, a direção de Deus.

Avaliar, ajustar, corrigir, reconhecer que estamos em um ponto extremo onde não deveríamos. Eis o que precisaremos fazer. Achar o ponto de equilíbrio e permanecer nele, eis o grande desafio de Deus para nossas vidas. Não nos desviarmos nem para a direita e nem para a esquerda – essa é a ordem divina.

 

 


 Entre o Chamado e o Campo

Por Eguinaldo Hélio de Souza.

 

Vários anos se passaram entre o momento no qual o apóstolo Paulo encontrou Jesus em Damasco e aquele no qual, juntamente com Barnabé, ele chegou a Chipre e depois foi a toda Ásia e Europa pregar o Evangelho. Esse intervalo não significava de modo nenhum atraso. Seu ministério só foi eficaz justamente devido a esse tempo de preparo.

Conta-se que Guilherme Carey, pai das missões modernas, enquanto trabalhava como auxiliar de sapateiro tinha um mapa da Índia à sua frente, e ficava imaginando como levaria o Evangelho àquele povo. Durante esse período ele estudava as diversas línguas daquele país. Não foi à toa que ele pode traduzir as Escrituras ou parte delas para trinta línguas indianas.

O mesmo se fala de David Livingstone, o grande apóstolo da África. A seu respeito lemos:

David iniciava o dia na tecelagem, às seis horas da manhã e, com intervalos para o café e o almoço, trabalhava até oito da noite. Segurava a sua gramática aberta na máquina de fiar algodão e, enquanto trabalhava, estudava-a linha por linha. Às oito horas da noite, dirigia-se, sem perder tempo, à escola noturna. Depois das aulas, estudava as lições para o dia seguinte, às vezes, até a meia-noite, quando a mãe tinha de obrigá-lo a apagar a luz e dormir.[1]

Ambos tinham convicção do seu chamado. Ambos sabiam exatamente qual era o seu campo missionário: Índia e África respectivamente. E acima de tudo, eles sabiam que jamais poderiam realizar essa tarefa sem o devido preparo. Só a certeza do chamado não bastava. Convicção sem preparo é ficção.

Não basta você ter chamado, você precisa ter preparo.

Procurando nos lugares certos

Mesmo não havendo em sua época instituições apropriadas para o treinamento de um missionário Carey e Livingstone foram capazes de perceber que não era seguro precipitar-se em um lugar sobre o qual nada sabiam. Seria negligência iniciar a grande tarefa de Deus para suas vidas sem estar preparados para ela. Autodidatas, eles fizeram seu próprio treinamento.

Hoje, centenas de anos depois, qualquer pessoa que tenha um chamado de Deus tem plenas possibilidades de receber treinamento adequado. Mesmo que esses homens tiveram êxito, não podemos esquecer que muitos outros fracassaram ou voltaram atrás porque não foram devidamente preparados para seu campo. Chamado sem preparo é sinônimo de fracasso.

Além disso, alguém pode ser chamado para o campo missionário e alimentar diversas dúvidas em seu coração. As incertezas também fazem parte da certeza de um chamado. Durante o treinamento, à medida que experiências, sentimentos e palavras são compartilhados, as dúvidas se dissipam. Isso é um fato. Uma das vantagens de se conhecer a história é que então não precisamos repeti-la. Claro que você aprende com seus erros, mas aprende também com os erros e acertos dos outros.

Alguns ingenuamente pensam que a certeza do chamado é a conclusão de tudo. Não. O chamado é apenas o começo de tudo. Começo que só vai prosseguir se for continuado com a busca pelos meios de cumprir a missão. O aprendizado da língua, da cultura, dos costumes. As estratégias adequadas e inadequadas. O que deu certo o que deu errado. Tudo isso faz parte do treinamento.

A consciência dos obstáculos, das possibilidades, dos perigos, das facilidades de uma determinada missão precisam ser aprendidos e analisados. Para isso existem instituições dedicadas a treinar os futuros missionários. Nessas instituições o vocacionado receberá toda a instrução necessária, sem precisar cometer os mesmos erros ou partir às cegas a um destino dado por Deus. Ninguém precisa reinventar a roda para ir ao campo missionário. Os fracassos e êxitos dos que o antecederam deixou para a Igreja um baú de informações e experiências que levarão você ao campo do modo mais seguro possível e permitirão a você produzir ali os devidos frutos. Por isso, todo escriba instruído acerca do Reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas. (Mt 13.52). As agências missionárias e cursos de treinamento missionário são esse escriba bem instruído. Há muita coisa acerca do Reino para você aprender nelas antes de ir ao campo.

Recebendo treinamento

Quando você tem chance de ouvir pessoas experientes falando sobre a atividade missionária, então você sente o campo mais perto. Aquilo que é apenas uma semente plantada por Deus em seu coração já parece mais com uma árvore frondosa e frutífera. Já se torna palpável.

Por outro lado, o seu almejado destino se torna mais real, algumas vezes de forma mais assustadora. Esse encontro com a realidade é a sua primeira prova. A possibilidade de ir pode despertar em você o desejo de recuar e recusar o chamado. O desafio pode parecer maior do que as suas forças. Quando era só um chamado claro não havia porque temer. Com o campo diante de seus olhos você pode, como os espias de Canaã, achar que é pequeno demais para a tarefa. Você terá que vencer a si mesmo, antes de vencer o inimigo na terra para a qual foi chamado.

Preparar-se para o campo missionário é muito mais que uma preparação intelectual. Essa preparação inclui conhecimento, prática e muitas vezes mudança de atitudes tanto externas quanto internas. Deus mudará vidas através de você. Antes disso, porém, Ele precisa mudar você.

Indispensável

Não importa se o campo é longe ou perto. Não importa se a cultura é pouco ou muito diferente. A eficácia do nosso chamado depende muito de quanto nos preparamos para cumpri-lo. Deus tem pressa, mas essa pressa não significa descuido e descaso. Ela tem espaço para o treinamento e a busca pela capacitação.

Nada é tão difícil que você não possa realizar através do treinamento adequado. Nada é tão fácil que dispense o treinamento. Capacitação e treinamento fazem parte do chamado de Deus. Pular essa etapa é saltar sobre um abismo intransponível.

Foi chamado? Seu próximo passo não é para o campo. É para o treinamento. Não esqueça isso. Comece hoje o seu treinamento.

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[1] BOYER, Orlando. Heróis da Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1985


 Entre as Tempestades

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

A tempestade acabou e você venceu. Veio a luta, a aflição, as lágrima, as orações e a intercessão. Parecia que aquela angústia não ia acabar nunca, mas acabou. Parecia que você não ia suportar, mas você suportou. Você se perguntava onde estava Deus e agora percebe que Ele esteve ali o tempo todo de uma forma muito especial. Agora você saber por experiência que Ele é O Onipresente, O Onisciente e O Onipotente. Agora o mar está calmo e você flutua alegre sobre as águas tranquilas e descansa sorrindo deitado nos pastos verdejantes. Sua confiança no Seu Deus está mais forte.

Eu gostaria de dizer que esse estado de coisas permanecerá assim. Queria poder dizer que nunca mais haverá outra tempestade ou nenhuma outra luta. Todavia, não posso. Ainda não chegamos ao fim de nossa jornada e enquanto habitarmos nesse vale de lágrimas estaremos sujeitos a ventos indesejados e batalhas de todo tipo. Sim, haverá guerra.

Por esse motivo não nos cabe dormir e descansar indefinidamente. Precisamos estar prontos, precisamos estar firmes, precisamos nos preparar para aquilo que virá. Temos de afiar nossa espada, untar nosso escudo, encher a nossa aljava. Precisamos fortalecer nossos alicerces, firmar nossas colunas, guardar suprimentos. A próxima tempestade não nos pegará desprevenidos.

Oraremos mais, meditaremos nas Escrituras, edificaremos nossa fé com tudo aquilo que Deus nos deu. Encheremos nossa mente e nossos corações com as promessas divinas. Cresceremos e nos fortificaremos entre uma tempestade e outra. Gastaremos tempo diante do trono da graça e por isso estaremos prontos quando os ventos tornarem a soprar.

Portanto, vamos ousadamente até o próprio trono de Deus e permaneçamos lá para recebermos a sua misericórdia e acharmos a sua graça para nos ajudar em nossos tempos de necessidade. (Hebreus 4.16 – Bíblia Viva)

O que faremos entre as tempestades determinará nossa atitude diante delas.


 Sabendo Receber Elogios

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

O crisol é para a prata e o forno é para o ouro, mas o que prova o homem são os elogios que recebe. (Provérbios 27.21)

 

Elogios são bons e necessários. Devemos distribuí-los ampla e sinceramente aos que nos cercam, dos familiares aos desconhecidos que de alguma forma nos serviram. É uma demonstração de amor e sabedoria reconhecer o valor das pessoas.

Do mesmo modo, também precisamos receber elogios e ter o reconhecimento positivo de nossas ações. Quando pessoas expressam as bênçãos que receberam de nosso ministério, isso nos edifica, pois ajuda a identificar as áreas nas quais o Senhor pode nos usar.

Dessa forma, elogiar é uma ação boa e positiva. E ainda assim elogios podem tornar-se altamente destrutivos como tantas vezes aconteceu. Como?

Quando pessoas elogiadas permitem que o orgulho se aposse delas, entram por um caminho de destruição. O excesso de louvores gera engano no coração de quem houve, quando ao invés de produzir humildade, produz soberba. Muitos se deixam cegar por suas reais ou supostas qualidades, achando que são bons por si mesmos ou que bastam a si mesmos.

Para que a bênção não se torne maldição, precisamos pensar três coisas:

A glória é Dele. Ainda que o elogio seja legítimo, nossa capacidade vem de Deus! (2 Coríntios 3.5). Assim como os anciãos lançavam suas coroas aos pés Daquele que os coroou (Apocalipse 4.10, 11), ao final, a glória que recebemos deve voltar para Ele!

Toda glória aqui é passageira. Basta ler Daniel 4 e ver quão tolo foi Nabucodonozor em sua soberba. Nada aqui dura para sempre. Temos que atentar para o que é eterno e não para o transitório (2 Coríntios 4.18)

Ainda falta muito. Um dos grandes perigos do elogio é acharmos que já chegamos onde deveríamos, que não resta nada a ser alcançado. Um sentimento de autossatisfação acaba nos impedindo de buscar uma santificação maior, uma consagração melhor. Foi contra tal sentimento que o apóstolo Paulo escreveu: “Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus” (Filipenses 3.12).

 

 

 


 Ele Se Entregou Por Nós

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

E, tomando o pão e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado. Semelhantemente, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós (Lucas 22.19, 20)

 

Jesus não pediu algo de nós. Ele pediu nosso todo. Também não deu apenas algo de Si a nós. Ele se deu todo. Não ofereceu sacrifícios em nosso favor. Ofereceu a si mesmo para nos redimir. Se alguém tem direito a nós neste mundo é Ele. Se alguém pode exigir de nós os maiores sacrifícios, as maiores renúncias, a mais plena obediência, É ele. Nada e nem ninguém neste Universo tem direito à nossa vida como Ele.

Aquele dia no cenáculo, durante a Ceia, Jesus estava resumindo em algumas palavras o que fizera consigo. Sua vida foi uma entrega por nós. Não era apenas o pão e o cálice que ele compartilhou. Ele compartilhou inteiramente a si mesmo.

Jesus não nos deu apenas palavras sublimes e milagres incomparáveis. Não nos deu apenas sua autoridade e seu poder. Disse e fez coisas maravilhosas e, no entanto, isso não foi a coisa mais maravilhosa que Ele fez. Deixou sua glória eterna para se tornar como nós. E quando pensávamos que isso seria tudo, ele derramou sobre a cruz Seu Ser e Sua Vida para nos redimir.

Como não amar tão grande amor? Como não estar disposto a renunciar tudo à favor Dele? Quando se compreende o amor de Cristo, nada mais importa senão obedecê-lo. Qualquer entrega será pouca para quem compreendeu a cruz de Cristo.

Como disse David Livingstone, o grande missionário para a África “Deus, envia-me para qualquer lugar, desde que vás comigo. Coloca qualquer carga sobre mim, desde que me carregues, e desata todos os laços do meu coração, menos o laço que prende o meu coração ao teu”. Tudo o Filho renunciou para tornar-se nosso. É nossa vez de a tudo renunciar para nos tornarmos Dele.

Não Lhe devemos apenas o que temos. Devemos a Ele tudo o que somos. Ele não quer nossos bens somente. Ele quer toda a nossa história, pois Ele nos deu a Sua. E um dia na eternidade se tornará visível a todos a dimensão de nossa entrega a Ele.


 Elas São Especiais

Por Eguinaldo Hélio de Souza

 

Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? (Isaías 49.15)

 

Talvez as mães sejam o tipo de pessoas mais poderosas que existem na terra. A mãe de Moisés, a mãe de Samuel, a mão de Jesus são exemplos bíblicos desse poder. Com seu amor, suas palavras, suas atitudes e suas orações elas se tornam grandes instrumentos da vontade de Deus neste mundo.

Na grande maioria das vezes são heroínas anônimas que marcam profundamente a vida e a história de seus filhos. E por esse caminho marcam a história e a vida neste mundo. Assim elas se tornam invencíveis como pessoas, influenciando a tudo e a todos.

As mães se tornam vitoriosas por seu amor e sua fé. O amor delas por seus filhos as conduz aos maiores sacrifícios. Elas esquecem suas fraquezas e limitações, enfrentam desafios impossíveis. A mãe de Moisés desafiou faraó. Ela, escrava do mais poderoso império, movida por amor e fé, salvou aquele que seria o libertador de seu povo. (Êxodo 2.2, 3). Seu ato mudou a história de seu filho, o destino dos filhos de Israel e assim influenciou a humanidade. Deus fez dela seu instrumento.

Elas se tornam vitoriosas por suas palavras. Quem não guarda em seu coração os ensinos de sua mãe? Quem não se viu confortado e consolado por suas ternas palavras? Quantos não receberam dos lábios de suas mães a mensagem de salvação? “As palavras do rei Lemuel, rei de Massá, palavras que sua mãe lhe ensinou” (Provérbios 31.1). Mais do que o leite materno, as mães alimentam seus filhos com palavras de sabedoria e vida.

Elas se tornam vitoriosas por suas orações. Poucas orações são tão sinceras, poderosas e profundas quanto as orações de uma mãe. “Por este menino orava eu” disse Ana, mãe de Samuel (1 Samuel 1.27). E deu ao mundo um homem abençoador. Muitos servos e servas do Senhor não foram apenas gerados apenas no ventre de suas mães. Foram gerados pela oração no mais profundo de suas almas.

Quando Deus criou este mundo, em sua sabedoria, colocou no coração das mães uma força imensa, que seria usada por Ele para a realização de seus propósitos.

Glória Deus por essas mães maravilhosas!